Rede Brasil e-Learning

Carlos Rodrigues

Não compre gato por lebre ... Certificação é coisa séria!

Olá companheiros da Rede Brasil E-learning!

Tenho notado, cada dia mais, a propaganda de cursos não presenciais pela internet oferecendo diplomas ou certificados reconhecidos nacional e internacionalmente.

As questões que coloco:

1) -Um curso livre, com a chancela  de associado de uma "Associação Brasileira de Qualquer Coisa", sem reconhecimento do MEC, pode ser reconhecido como certificado nacionalmente e internacionalmente?

2)  -Cursos livres, sem registro no MEC, portanto sem certificação oficial, não servem como prova e contagem de pontos em concursos públicos. Em instituições corporativas somente se o certificador é de notória especialização no assunto. ISTO POSTO: Uma entidade privada pode emitir certificado de curso livre em que condições? Qual a validade legal deste certificado?

[ ]'s,

Carlos Rodrigues

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Respostas a este tópico

Pois é, em recente pesquisa que eu realizei notei exatamente o que você menciona acima: os cursos livres oferecem certificados como se fossem de extrema relevância, quando na realidade não são nem reconhecidos oficialmente até por falta de legislação mais específica (já que a regulamentação deixa mais livres os cursos livres).

Me parece que aqueles que não tem conhecimento mais aprofundado no assunto compram sim, gato por lebre pois estes certificados não tem de fato validade alguma, na verdade deveriam ser certificados de participação, mesmo que estejam vinculados a uma empresa qualquer, a idoneidade da empresa deve ser levada em conta, seu tempo de mercado, sua confiabilidade e sua regulamentação no quesito educação.
Percebi que as empresas usam de fortes recursos para promover seus certificados, como selos e afins, porém antes de se inscrever num curso pensando na certificação é necessário saber quais instituições estão habilitadas a emitir oficialmente estes certificados, como acontece com as instituições de ensino superior que lançam mão de cursos livres, por exemplo.
Agora para aqueles que apenas desejam adquirir um conhecimento extra, essa certificação não precisa ser tão rigorosamente levada em conta, já que não desqualifica o conteúdo.

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Paolla,
Muito pertinente seus comentários.

Tem sim muita gente de bem comprando "gato por lebre". No afã de adquirir novos conhecimentos rápidamente, pensam que a certificação anunciada tem validade e depois descobrem que é um papel que pode ser feito em qualquer impressora, sem chancela ou com chacela inválida.

Acrescento que: - O que chamo de chancela de associado de uma "Associação Brasileira de Qualquer Coisa" é tipo, pagou a anuidade da associação passou a ter o direito de usar o nome de associado e "marketiar" isto como fator de credibildade do curso. A associação não controla nada. Só fatura a anuidade.

A internet brasileira tem uma penetração razoável em Portugal e paises de lingua portuguesa, Já tem uma presença menor em paises de lingua espanhola. Tem muito português e latino comprando "gato por lebre", via web do Brasil. Cursos de nível Básico Profissionalizante (Sem validade de curso técnico, superior ou pós) são oferecidos como cursos certificados com validade nacional e internacional. O máximo que possuem é uma acôrdo operacional com uma terceira empresa que obtém registro nos conselhos municipais de educação, portanto para cursos básicos de primeiro grau.

Concordo com você Paolla que o conteúdo é fundamental. Mas propagandear evender um curso como certificado internacionalmente e nacionalmente, sem deixar claro o seu nível, através de uma terceira entidade com registro em um conselho municipal de educação é bem estranho, você não acha?

O dito certificado não é uma declaração de participação, mas sim um certificado de avaliação e aprovação. De quem? da entidade que dá o curso?. Da entidade que dá o nome e o numero de registro no conselho municipal de educação? Do conselho municipal de educação? Da "Associação Brasileira de Qualquer Coisa" que já faturou a anuidade e não sabe e não controla nada que a sua empresa associada está fazendo?

Para continuidade dos debates, recoloco aqui as questões originais:
1) -Um curso livre, com a chancela de associado de uma "Associação Brasileira de Qualquer Coisa", sem reconhecimento do MEC, pode ser reconhecido como certificado nacionalmente e internacionalmente?

2) -Cursos livres, sem registro no MEC, portanto sem certificação oficial, não servem como prova e contagem de pontos em concursos públicos. Em instituições corporativas somente se o certificador é de notória especialização no assunto. ISTO POSTO: Uma entidade privada pode emitir certificado de curso livre em que condições? Qual a validade legal deste certificado?

Paolla Luciana Zecchinelli disse:
Pois é, em recente pesquisa que eu realizei notei exatamente o que você menciona acima: os cursos livres oferecem certificados como se fossem de extrema relevância, quando na realidade não são nem reconhecidos oficialmente até por falta de legislação mais específica (já que a regulamentação deixa mais livres os cursos livres).
Me parece que aqueles que não tem conhecimento mais aprofundado no assunto compram sim, gato por lebre pois estes certificados não tem de fato validade alguma, na verdade deveriam ser certificados de participação, mesmo que estejam vinculados a uma empresa qualquer, a idoneidade da empresa deve ser levada em conta, seu tempo de mercado, sua confiabilidade e sua regulamentação no quesito educação. Percebi que as empresas usam de fortes recursos para promover seus certificados, como selos e afins, porém antes de se inscrever num curso pensando na certificação é necessário saber quais instituições estão habilitadas a emitir oficialmente estes certificados, como acontece com as instituições de ensino superior que lançam mão de cursos livres, por exemplo.
Agora para aqueles que apenas desejam adquirir um conhecimento extra, essa certificação não precisa ser tão rigorosamente levada em conta, já que não desqualifica o conteúdo.

Responder esta

Olá Carlos,

Agradeço por você estar levantando essa discussão. Como lhe disse, também vejo ´instituições´ que afirmam serem seus cursos (cursos livres na verdade) reconhecidos por secretarias estaduais de educação (mas possuem apenas simples registros dos cursos junto a sec. municipais), registro esse feito em nome de instituições terceiras como você bem colocou.


Esse debate é um passo inicial para se esclarecer as coisas perante o público.


Sobre certificados...

Quando iniciei meus cursos online consultei mais de um advogado para perguntar se poderíamos emitir certificados.

Ocorre que qualquer indivíduo ou instituição pode certificar (dar como certo), atestar ou declarar por escrito o que quiser e ser considerado responsável pelo que escreveu.

Um professor, mesmo independente, pode certificar não só a participação de um estudante em seus cursos, como também seu nível de aproveitamento e suas competências.Tal documento tem valor legal.

Se terá reconhecimento, essa é uma outra questão que depende da reputação junto à sociedade e ao mercado por parte do indivíduo ou instituição que declara / certifica.

Não é ilegal portanto emitir certificados. Ilegal é fazer propaganda enganosa, mentindo sobre o reconhecimento dos mesmos junto ao MEC ou secretarias de educação, que não tem como atribuição conferir reconhecimento a cursos livres.


Sobre o uso do logo da ABED...

Trata-se de propaganda enganosa se a instituição e seus professores não participam dos eventos acadêmicos e não contribuem com estudos na área. Afirmar-se como membro de uma associação científica significa isso, e não dar a entender que essa atesta a qualidade de suas práticas.

A ABED, deveria ser, no entanto, mais criteriosa na concessão do uso de sua logo. Não deveria aceitar que fosse usada por instituições que afirmam terem cursos reconhecidos por órgãos oficiais, quando não o são.


Abraços,
Régis

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Olá Régis!

Carlos e eu conversamos sobre este assunto hoje e quero dizer que compartilho da visão de ambos.

A situação é realmente preocupante, sobretudo para os profissionais que trabalham com ética, qualidade e respeito ao consumidor. A concorrência é desleal e cruel, o que faz com que os bons profissionais demorem o dobro do tempo que levariam para serem reconhecidos no mercado, já que a oferta exacerbada de cursos e capacitações a preços baixos é, na maioria das vezes, a única opção de um cidadão brasileiro adquirir uma oportunidade de instrução (o que não pode ser confundido com educação formal).

O discurso, que vem ecoando, de que o e-learning está democratizando a Educação no país, é político e falho. Afinal, os "conteúdos comerciais" que estão sendo oferecidos, intitulados como cursos livres, estão longe de se aproximar do que se conhece como Processo de Formação em Ensino-Aprendizagem, Aprendizagem Colaborativa e Sócio-Interacionista, Construção de Conhecimento etc. Do que adianta comercializar o ensino e aumentar gráficos estatísticos de cidadãos brasileiros com formação e/ou aperfeiçoamento, se na verdade, tais indivíduos não foram expostos a nenhum tipo de situação formadora, desenvolvedora de competência, habilidades e cognição?

Por isso, concordo plenamente quando diz "A ABED, deveria ser, no entanto, mais criteriosa na concessão do uso de sua logo." Afinal, além da logo fazer parte de sua identidade visual, ela, ainda, está sendo usada como garantia de certificação de Educação com qualidade, quando isso não existe.

Posso parecer utópica, mas acredito que a SEED-MEC deveria ter um papel mais atuante como órgão governamental, criando políticas públicas de fiscalização e revendo a legislação da Educação a Distância, a qual possui muitas brechas e, portanto, possibilita que o comércio conteudista atue de forma ilícita e anti-ética.

Como boa brasileira, mantenho a esperança por melhorias, mas não sentada diante da tv, inerte às situações ao meu redor, mas sim agindo como e até onde posso.

Abraços.

Gabriela

Régis Tractenberg disse:
Olá Carlos,

Agradeço por você estar levantando essa discussão. Como lhe disse, também vejo ´instituições´ que afirmam serem seus cursos (cursos livres na verdade) reconhecidos por secretarias estaduais de educação (mas possuem apenas simples registros dos cursos junto a sec. municipais), registro esse feito em nome de instituições terceiras como você bem colocou.


Esse debate é um passo inicial para se esclarecer as coisas perante o público.


Sobre certificados...

Quando iniciei meus cursos online consultei mais de um advogado para perguntar se poderíamos emitir certificados.

Ocorre que qualquer indivíduo ou instituição pode certificar (dar como certo), atestar ou declarar por escrito o que quiser e ser considerado responsável pelo que escreveu.

Um professor, mesmo independente, pode certificar não só a participação de um estudante em seus cursos, como também seu nível de aproveitamento e suas competências.Tal documento tem valor legal.

Se terá reconhecimento, essa é uma outra questão que depende da reputação junto à sociedade e ao mercado por parte do indivíduo ou instituição que declara / certifica.

Não é ilegal portanto emitir certificados. Ilegal é fazer propaganda enganosa, mentindo sobre o reconhecimento dos mesmos junto ao MEC ou secretarias de educação, que não tem como atribuição conferir reconhecimento a cursos livres.


Sobre o uso do logo da ABED...

Trata-se de propaganda enganosa se a instituição e seus professores não participam dos eventos acadêmicos e não contribuem com estudos na área. Afirmar-se como membro de uma associação científica significa isso, e não dar a entender que essa atesta a qualidade de suas práticas.

A ABED, deveria ser, no entanto, mais criteriosa na concessão do uso de sua logo. Não deveria aceitar que fosse usada por instituições que afirmam terem cursos reconhecidos por órgãos oficiais, quando não o são.


Abraços,
Régis

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Olá Gabriela,

Sim, quanto maior o número de cursos online livres fazendo propagandas enganosas, mais difíceis serão as condições de credibilidade perante o mercado para professores e instituições que desejem trabalhar de modo sério. Toda imagem da EAD e de cursos livres fica comprometida...

Penso, no entanto, que o problema não está na oferta de cursos com preços baixos. Não vejo problema em cursos auto-instrucionais ou cursos com tutoria reativa desde que essa metodologia fique clara perante o público.

Cursos auto-instrucionais podem promover boas experiências de aprendizagem se estiverem em linha com as necessidades de quem se dispõe a aprender com os mesmos. Livros, por exemplo, são recursos auto-instrucionais e servem bem a grande diversidade de propósitos quando oferecem conteúdos de boa qualidade e chegam até pessoas capazes e motivadas para aproveitá-los.

Cursos auto-instrucionais ou predominantemente auto-instrucionais precisam mesmo ter preço baixo, uma vez que não há interação significativa com um docente.

Mesmo assim é possível encontrar cursos desse tipo com preços de cursos mediados por professores. Algo na faixa de algumas centenas de Reais. Autores / professores tem liberdade para cobrar o que desejarem pelos materiais que produzirem, contudo o público precisaria ser informado que por valores semelhantes poderiam provavelmente adquirir mais de um livro na área desejada ao invés de ter acesso a conteúdos essencialmente textuais por um período limitado de tempo, conforme as práticas que tem-se visto por aí.

Sobre a democratização... a EAD tem ampliado o acesso à educação no país nos setores corporativo, e principalmente ao nível de graduação. Creio que no âmbito da educação formal superior, e cada vez mais do ensino técnico de nível médio, podemos dizer que há iniciativas expressivas de democratização do acesso à educação. Os números apresentados pelo governo se referem aos cursos credenciados e não cursos livres.

Quanto aos cursos livres, são vistos pela legislação como caminho para a qualificação profissional continuada e enriquecimento cultural da sociedade.

Do mesmo modo como vejo cursos picaretas, vejo com satisfação cursos livres de qualidade e penso que são essenciais para complementar e mesmo superar em algumas áreas as opções oferecidas pelo sistema formal de ensino. Sou de opinião que não deve haver controle oficial, uma vez que tal burocracia reduziria a diversidade de iniciativas disponíveis, e seria impossível estabelecer critérios de qualidade universais.

O fato de serem livres não significa necessariamente que sejam de menor qualidade ou que focalizem experiências de aprendizagem direcionadas apenas à assimilação de conteúdos. Há cursos livres bons e ruins...

Ocorre que, como não há fiscalização para essa categoria, é grande a oferta de cursos caça-níqueis, de baixa qualidade ou que afirmam ter reconhecimento que não tem. Isso se agrava na web, devido à dificuldade de controlar quem é responsável por determinado site, e conseqüentemente o teor das informações que são veiculadas.

Empresas e profissionais que possam ser identificados, podem, no entanto, ser responsabilizados pelos cursos e serviços que oferecem, inclusive diante do código de defesa do consumidor.

O problema, mais sério, a meu ver, é que o público, em geral, não sabe reconhecer indícios de cursos picaretas / de má qualidade. Sabemos reclamar em um restaurante quando a comida não está boa, ou numa loja de eletrodomésticos quando um aparelho não funciona bem. A sociedade aprende cada vez mais a recorrer aos órgãos de defesa do consumidor quando suas reclamações não são atendidas pelos prestadores de serviços ou fabricantes dos produtos que consomem. Na área de educação, de outro modo, estamos acostumados desde a escola a engolir disciplinas aborrecidas, desvinculadas de nossas necessidades, oferecidas por professores pouco atenciosos, e ainda em sistemas que tratam alunos como gado e não como clientes. Alunos tem muito pouco poder de reivindicar mudanças nos sistemas formais de ensino. Não aprendemos então a exigir cursos de qualidade.

Existe ainda outra questão, que é a falta de ética por certa parcela do público de ´estudantes´. São pessoas que reconhecem a baixa qualidade de certos cursos, mas se inscrevem mesmo assim em busca dos certificados.

Esta semana mesmo descobri um site que cobra quantias diferentes conforme o tipo de avaliação ao final do estudo de certo material auto-instrucional. Para cada tipo de preço/avaliação a carga horária varia enormemente sendo a maior de 180h. Nesse caso basta fazer uma breve prova de múltipla escolha e entregar 3 páginas de relatório de aprendizagem. Não preciso dizer que cursos com carga horária de 180h oferecidos por instituições sérias incluem várias disciplinas que são oferecidas por equipes de professores, com atividades de avaliação significativas em cada etapa. Não é possível conceber que uma pessoa ética aceite receber um certificado com 180h por meio de um ‘programa de estudos’ tão fácil como os oferecidos por este site. ´Estudantes´ assim desejam usar tais certificados como forma de pontuação para a progressão salarial em seus cargos. Imagino que isso só aconteça perante departamentos de RH de ética também duvidosa ou com regulamentos engessados, que os obriguem a aceitar tais documentos.

Qual o caminho então?

Acredito que profissionais e instituições sérios precisam discutir o assunto e divulgar com freqüência orientações ao mercado, isto é, capacitar as pessoas para consumir produtos e serviços educacionais de qualidade. Se tais noções forem assimiladas amplamente será mais difícil a persistência de iniciativas picaretas no mercado. Não terão alunos / consumidores e serão denunciadas com maior freqüência.


Abraços,
Régis

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Olá pessoal

Estou aprendendo e descobrindo novos caminhos com a EAD principalmente agora com a tutoria do PROINFO INTEGRADO sou professor do curso Tecnologia na Educação; Ensinando e Aprendendo com as TIC e atuo em 3 cidade da minha região e realmente percebo que os desafios são inumeros para prestar um serviço de qualidade ainda que tenha o aval do MEC existe muita coisa por fazer e a falta de parametros é historica no nosso sistema educacional creio que a livre iniciativa não vai se sentir impedida mesmo porque o governo não tem fiscais suficientes para fazer o acompanhamento de todos os cursos on line que estejam disponiveis para o público em contraste com as responsabilidade do mundo real que vivemos nunca foram a contenta cumprida dada a autonomia e diversidade das escolas e seus problemas cotidiano somente foram transferidos para o mundo virtual que conhecemos a ineficácia dos conselhos educacionais que estão mais preocupados entre quem faz ou não faz a educação não existe na realidade pois a maioria que conhecemos dos docentes não tem preocupação com a qualidade da educação e muito menos dado a seriedade a critica tem justo fundamento é só analisarmos a farta literatura que encontramos facilmente sobre a questão do que realmente venha ser e o que é ser professor de fato em suma velho problemas acabaram se transferidos para internet diante disso o MEC não passa de um gruppo de tecnocratas que decide os caminhos da educação mediante a numeros, indices estatisticas que não encontram ressonância na realidade diante do excesso de burocracia que poderia ser muito bem simplificada.

Outro aspecto no que concerne a consciência ingênua dessa massa tido como base intelectual ou força mobilizadora de classes se tornou estagnada em reflexo aos avanços tecnológicos dos quais sentimos no nosso cotidiano em reflexo as suas ações que quase sempre o lócus que é a escola se encontra quer seja estático devida a ausência de um Projeto Politico Pedagogico ativo de nada adiantar a instituição ter um quadro de excelente de professores se não tem um PPP ativo atrelado a prática educativa do docente caso contrário vira aulas expositivas, conteúdo bancário que serve para depositar na cabeça dos alunos;
Consequentemente não estamos contribuindo a produção de conhecimento diante de prática contraditória que privilegia os mais aptos deixando o restante a merce da seletividade social dos concursos públicos onde aqueles que decoram mais o conteudo consegue obter os melhores resultados tão logo para esquecem o que aprenderam na escola.
Ora portanto cá estou eu diante das exigencias do mercado despontando para uma profissão chamada Design Instrucional que hoje tem o CBO reconhecido e a minha pergunta caro colega sera que um Professor Especialista não poderia assumir tal função melhor ?
Diante disso não é desnecessário a criação de novas profissões para exercerem funções produzidas pelo advento da internet ?
Ou simplesmente restringir os cursos ditos para atender tal demandar de mercado priveligiando dando um upgrade a formação continuada tal necessária para os professores ativos ?

Não quero generalizar tais questionamento mais creio que certa profissões são apenas um embuste de mercado com fins de explorar as mais desavisados e inexperientes que vez por outra estão pasmos e deslumbrados com as novidades tecnologicas.


Cleber Gomes


Régis Tractenberg disse:
Olá Gabriela,

Sim, quanto maior o número de cursos online livres fazendo propagandas enganosas, mais difíceis serão as condições de credibilidade perante o mercado para professores e instituições que desejem trabalhar de modo sério. Toda imagem da EAD e de cursos livres fica comprometida...

Penso, no entanto, que o problema não está na oferta de cursos com preços baixos. Não vejo problema em cursos auto-instrucionais ou cursos com tutoria reativa desde que essa metodologia fique clara perante o público.

Cursos auto-instrucionais podem promover boas experiências de aprendizagem se estiverem em linha com as necessidades de quem se dispõe a aprender com os mesmos. Livros, por exemplo, são recursos auto-instrucionais e servem bem a grande diversidade de propósitos quando oferecem conteúdos de boa qualidade e chegam até pessoas capazes e motivadas para aproveitá-los.

Cursos auto-instrucionais ou predominantemente auto-instrucionais precisam mesmo ter preço baixo, uma vez que não há interação significativa com um docente.

Mesmo assim é possível encontrar cursos desse tipo com preços de cursos mediados por professores. Algo na faixa de algumas centenas de Reais. Autores / professores tem liberdade para cobrar o que desejarem pelos materiais que produzirem, contudo o público precisaria ser informado que por valores semelhantes poderiam provavelmente adquirir mais de um livro na área desejada ao invés de ter acesso a conteúdos essencialmente textuais por um período limitado de tempo, conforme as práticas que tem-se visto por aí.

Sobre a democratização... a EAD tem ampliado o acesso à educação no país nos setores corporativo, e principalmente ao nível de graduação. Creio que no âmbito da educação formal superior, e cada vez mais do ensino técnico de nível médio, podemos dizer que há iniciativas expressivas de democratização do acesso à educação. Os números apresentados pelo governo se referem aos cursos credenciados e não cursos livres.

Quanto aos cursos livres, são vistos pela legislação como caminho para a qualificação profissional continuada e enriquecimento cultural da sociedade.

Do mesmo modo como vejo cursos picaretas, vejo com satisfação cursos livres de qualidade e penso que são essenciais para complementar e mesmo superar em algumas áreas as opções oferecidas pelo sistema formal de ensino. Sou de opinião que não deve haver controle oficial, uma vez que tal burocracia reduziria a diversidade de iniciativas disponíveis, e seria impossível estabelecer critérios de qualidade universais.

O fato de serem livres não significa necessariamente que sejam de menor qualidade ou que focalizem experiências de aprendizagem direcionadas apenas à assimilação de conteúdos. Há cursos livres bons e ruins...

Ocorre que, como não há fiscalização para essa categoria, é grande a oferta de cursos caça-níqueis, de baixa qualidade ou que afirmam ter reconhecimento que não tem. Isso se agrava na web, devido à dificuldade de controlar quem é responsável por determinado site, e conseqüentemente o teor das informações que são veiculadas.

Empresas e profissionais que possam ser identificados, podem, no entanto, ser responsabilizados pelos cursos e serviços que oferecem, inclusive diante do código de defesa do consumidor.

O problema, mais sério, a meu ver, é que o público, em geral, não sabe reconhecer indícios de cursos picaretas / de má qualidade. Sabemos reclamar em um restaurante quando a comida não está boa, ou numa loja de eletrodomésticos quando um aparelho não funciona bem. A sociedade aprende cada vez mais a recorrer aos órgãos de defesa do consumidor quando suas reclamações não são atendidas pelos prestadores de serviços ou fabricantes dos produtos que consomem. Na área de educação, de outro modo, estamos acostumados desde a escola a engolir disciplinas aborrecidas, desvinculadas de nossas necessidades, oferecidas por professores pouco atenciosos, e ainda em sistemas que tratam alunos como gado e não como clientes. Alunos tem muito pouco poder de reivindicar mudanças nos sistemas formais de ensino. Não aprendemos então a exigir cursos de qualidade.

Existe ainda outra questão, que é a falta de ética por certa parcela do público de ´estudantes´. São pessoas que reconhecem a baixa qualidade de certos cursos, mas se inscrevem mesmo assim em busca dos certificados.

Esta semana mesmo descobri um site que cobra quantias diferentes conforme o tipo de avaliação ao final do estudo de certo material auto-instrucional. Para cada tipo de preço/avaliação a carga horária varia enormemente sendo a maior de 180h. Nesse caso basta fazer uma breve prova de múltipla escolha e entregar 3 páginas de relatório de aprendizagem. Não preciso dizer que cursos com carga horária de 180h oferecidos por instituições sérias incluem várias disciplinas que são oferecidas por equipes de professores, com atividades de avaliação significativas em cada etapa. Não é possível conceber que uma pessoa ética aceite receber um certificado com 180h por meio de um ‘programa de estudos’ tão fácil como os oferecidos por este site. ´Estudantes´ assim desejam usar tais certificados como forma de pontuação para a progressão salarial em seus cargos. Imagino que isso só aconteça perante departamentos de RH de ética também duvidosa ou com regulamentos engessados, que os obriguem a aceitar tais documentos.

Qual o caminho então?

Acredito que profissionais e instituições sérios precisam discutir o assunto e divulgar com freqüência orientações ao mercado, isto é, capacitar as pessoas para consumir produtos e serviços educacionais de qualidade. Se tais noções forem assimiladas amplamente será mais difícil a persistência de iniciativas picaretas no mercado. Não terão alunos / consumidores e serão denunciadas com maior freqüência.


Abraços,
Régis

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Olá Cleber,

O design instrucional é uma disciplina anterior à emergência da educação à distância online. Propõe o planejamento metódico e com visão sistêmica de projetos educacionais e possui interfaces com várias áreas como produção editorial, gestão de projetos, teorias educacionais, novas tecnologias, educação corporativa etc.

Não é exatamente uma profissão, a não ser para alguns profissionais que trabalham na elaboração de cursos para grandes empresas ou universidades. Fora desse âmbito quem mais utiliza o DI são professores, coordenadores de cursos e gerentes de projetos em diferentes contextos.

Penso que deveria ser parte da formação de educadores em geral, e não algo apenas para quem trabalha com novas tecnologias. Entendo, no entanto, que não é possível limitar seu uso apenas a pedagogos, uma vez que a necessidade por disseminar conhecimento através de cursos, palestras, e materiais didáticos em geral cada vez mais faz parte das atividades de todas as áreas profissionais.

Pedagogos, certamente poderiam ocupar mais essa necessidade do mercado se os currículos de sua formação estivessem orientados neste sentido.

Abraços,
Régis

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