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Pois é, em recente pesquisa que eu realizei notei exatamente o que você menciona acima: os cursos livres oferecem certificados como se fossem de extrema relevância, quando na realidade não são nem reconhecidos oficialmente até por falta de legislação mais específica (já que a regulamentação deixa mais livres os cursos livres).
Me parece que aqueles que não tem conhecimento mais aprofundado no assunto compram sim, gato por lebre pois estes certificados não tem de fato validade alguma, na verdade deveriam ser certificados de participação, mesmo que estejam vinculados a uma empresa qualquer, a idoneidade da empresa deve ser levada em conta, seu tempo de mercado, sua confiabilidade e sua regulamentação no quesito educação. Percebi que as empresas usam de fortes recursos para promover seus certificados, como selos e afins, porém antes de se inscrever num curso pensando na certificação é necessário saber quais instituições estão habilitadas a emitir oficialmente estes certificados, como acontece com as instituições de ensino superior que lançam mão de cursos livres, por exemplo.
Agora para aqueles que apenas desejam adquirir um conhecimento extra, essa certificação não precisa ser tão rigorosamente levada em conta, já que não desqualifica o conteúdo.
Olá Carlos,
Agradeço por você estar levantando essa discussão. Como lhe disse, também vejo ´instituições´ que afirmam serem seus cursos (cursos livres na verdade) reconhecidos por secretarias estaduais de educação (mas possuem apenas simples registros dos cursos junto a sec. municipais), registro esse feito em nome de instituições terceiras como você bem colocou.
Esse debate é um passo inicial para se esclarecer as coisas perante o público.
Sobre certificados...
Quando iniciei meus cursos online consultei mais de um advogado para perguntar se poderíamos emitir certificados.
Ocorre que qualquer indivíduo ou instituição pode certificar (dar como certo), atestar ou declarar por escrito o que quiser e ser considerado responsável pelo que escreveu.
Um professor, mesmo independente, pode certificar não só a participação de um estudante em seus cursos, como também seu nível de aproveitamento e suas competências.Tal documento tem valor legal.
Se terá reconhecimento, essa é uma outra questão que depende da reputação junto à sociedade e ao mercado por parte do indivíduo ou instituição que declara / certifica.
Não é ilegal portanto emitir certificados. Ilegal é fazer propaganda enganosa, mentindo sobre o reconhecimento dos mesmos junto ao MEC ou secretarias de educação, que não tem como atribuição conferir reconhecimento a cursos livres.
Sobre o uso do logo da ABED...
Trata-se de propaganda enganosa se a instituição e seus professores não participam dos eventos acadêmicos e não contribuem com estudos na área. Afirmar-se como membro de uma associação científica significa isso, e não dar a entender que essa atesta a qualidade de suas práticas.
A ABED, deveria ser, no entanto, mais criteriosa na concessão do uso de sua logo. Não deveria aceitar que fosse usada por instituições que afirmam terem cursos reconhecidos por órgãos oficiais, quando não o são.
Abraços,
Régis
Olá Gabriela,
Sim, quanto maior o número de cursos online livres fazendo propagandas enganosas, mais difíceis serão as condições de credibilidade perante o mercado para professores e instituições que desejem trabalhar de modo sério. Toda imagem da EAD e de cursos livres fica comprometida...
Penso, no entanto, que o problema não está na oferta de cursos com preços baixos. Não vejo problema em cursos auto-instrucionais ou cursos com tutoria reativa desde que essa metodologia fique clara perante o público.
Cursos auto-instrucionais podem promover boas experiências de aprendizagem se estiverem em linha com as necessidades de quem se dispõe a aprender com os mesmos. Livros, por exemplo, são recursos auto-instrucionais e servem bem a grande diversidade de propósitos quando oferecem conteúdos de boa qualidade e chegam até pessoas capazes e motivadas para aproveitá-los.
Cursos auto-instrucionais ou predominantemente auto-instrucionais precisam mesmo ter preço baixo, uma vez que não há interação significativa com um docente.
Mesmo assim é possível encontrar cursos desse tipo com preços de cursos mediados por professores. Algo na faixa de algumas centenas de Reais. Autores / professores tem liberdade para cobrar o que desejarem pelos materiais que produzirem, contudo o público precisaria ser informado que por valores semelhantes poderiam provavelmente adquirir mais de um livro na área desejada ao invés de ter acesso a conteúdos essencialmente textuais por um período limitado de tempo, conforme as práticas que tem-se visto por aí.
Sobre a democratização... a EAD tem ampliado o acesso à educação no país nos setores corporativo, e principalmente ao nível de graduação. Creio que no âmbito da educação formal superior, e cada vez mais do ensino técnico de nível médio, podemos dizer que há iniciativas expressivas de democratização do acesso à educação. Os números apresentados pelo governo se referem aos cursos credenciados e não cursos livres.
Quanto aos cursos livres, são vistos pela legislação como caminho para a qualificação profissional continuada e enriquecimento cultural da sociedade.
Do mesmo modo como vejo cursos picaretas, vejo com satisfação cursos livres de qualidade e penso que são essenciais para complementar e mesmo superar em algumas áreas as opções oferecidas pelo sistema formal de ensino. Sou de opinião que não deve haver controle oficial, uma vez que tal burocracia reduziria a diversidade de iniciativas disponíveis, e seria impossível estabelecer critérios de qualidade universais.
O fato de serem livres não significa necessariamente que sejam de menor qualidade ou que focalizem experiências de aprendizagem direcionadas apenas à assimilação de conteúdos. Há cursos livres bons e ruins...
Ocorre que, como não há fiscalização para essa categoria, é grande a oferta de cursos caça-níqueis, de baixa qualidade ou que afirmam ter reconhecimento que não tem. Isso se agrava na web, devido à dificuldade de controlar quem é responsável por determinado site, e conseqüentemente o teor das informações que são veiculadas.
Empresas e profissionais que possam ser identificados, podem, no entanto, ser responsabilizados pelos cursos e serviços que oferecem, inclusive diante do código de defesa do consumidor.
O problema, mais sério, a meu ver, é que o público, em geral, não sabe reconhecer indícios de cursos picaretas / de má qualidade. Sabemos reclamar em um restaurante quando a comida não está boa, ou numa loja de eletrodomésticos quando um aparelho não funciona bem. A sociedade aprende cada vez mais a recorrer aos órgãos de defesa do consumidor quando suas reclamações não são atendidas pelos prestadores de serviços ou fabricantes dos produtos que consomem. Na área de educação, de outro modo, estamos acostumados desde a escola a engolir disciplinas aborrecidas, desvinculadas de nossas necessidades, oferecidas por professores pouco atenciosos, e ainda em sistemas que tratam alunos como gado e não como clientes. Alunos tem muito pouco poder de reivindicar mudanças nos sistemas formais de ensino. Não aprendemos então a exigir cursos de qualidade.
Existe ainda outra questão, que é a falta de ética por certa parcela do público de ´estudantes´. São pessoas que reconhecem a baixa qualidade de certos cursos, mas se inscrevem mesmo assim em busca dos certificados.
Esta semana mesmo descobri um site que cobra quantias diferentes conforme o tipo de avaliação ao final do estudo de certo material auto-instrucional. Para cada tipo de preço/avaliação a carga horária varia enormemente sendo a maior de 180h. Nesse caso basta fazer uma breve prova de múltipla escolha e entregar 3 páginas de relatório de aprendizagem. Não preciso dizer que cursos com carga horária de 180h oferecidos por instituições sérias incluem várias disciplinas que são oferecidas por equipes de professores, com atividades de avaliação significativas em cada etapa. Não é possível conceber que uma pessoa ética aceite receber um certificado com 180h por meio de um ‘programa de estudos’ tão fácil como os oferecidos por este site. ´Estudantes´ assim desejam usar tais certificados como forma de pontuação para a progressão salarial em seus cargos. Imagino que isso só aconteça perante departamentos de RH de ética também duvidosa ou com regulamentos engessados, que os obriguem a aceitar tais documentos.
Qual o caminho então?
Acredito que profissionais e instituições sérios precisam discutir o assunto e divulgar com freqüência orientações ao mercado, isto é, capacitar as pessoas para consumir produtos e serviços educacionais de qualidade. Se tais noções forem assimiladas amplamente será mais difícil a persistência de iniciativas picaretas no mercado. Não terão alunos / consumidores e serão denunciadas com maior freqüência.
Abraços,
Régis
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